Tuesday, September 12, 2006

O ontem, o hoje e o amanhã


Este é o tipo de assunto ao qual tenho que recorrer as minhas memórias infantis, e como a maioria das memórias elas tem aquele "que" de saudosismo, aonde sempre pensamos que o ontem foi melhor do que o hoje e será muito melhor do que o amanhã (no caso de realistas"pessimistas" como eu), seguindo este raciocínio infelismente tenho que esperar que as coisas daqui para a frente serão piores, ou que não irão melhorar, ficando tudo estagnado, quando não regredindo. Sou da geração TV, mas ainda tenho boas memórias da época em que meu pai escutava rádio, e eu o acompanhava nessas audições, minha imaginação fluia e viajava nas palavras do radialista, hoje em dia eu percebo que ele poderia transformar uma simples partida de futebol em uma batalha épica, mesmo quando um time estava apático em campo e praticamente entregando o jogo. Naquela época os comentaristas não eram tão imparciais como os de hoje, dava para notar até para qual times eles torciam sem medo de demonstrar, tanto que faziam até apostas que iam desde mudar o próprio nome até degustar pratos não muito agradáveis, como uma sopa de moscas ou o próprio vômito.Hoje em dia na era da internet e da informação em tempo real, tornou a narração esportiva um tanto chata, aonde nem mesmo um comentarista pode torcer pela Seleção Brasileira, pois eles correm o risco de morder a língua logo após falarem alguma coisa. Um pouco do romantismo acabou com essa nova era, aonde ficavamos esperando a chegada do carteiro pela janela de casa torcendo para que ele trouxesse a carta da pessoa amada ou uma notícia esperada, ou quando ficavamos em casa esperando por um telefonema, hoje em dia basta termos um celular que poderemos receber ambos a qualquer momento e em qualquer lugar. Daqui a algum tempo com a chegada do videofone e de outras tecnologias eu acredito que o contato humano irá diminuir consideravelmente, agora só me resta torcer por uma nova onda retrô para que quem não experimentou aquela época possa experimenta la e para quem a viveu possa revive la. Também torço para que o romance não tenha acabado e sim mudado, talvez o que me reste, seja eu me adaptar a este novo tempo.Mas confesso que antigamente era bem melhor, e digo isto sem um pingo de saudosismo.

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